Disconcertos encerra temporada no Futuros celebrando memória, música e cultura carioca

O cineasta e ator Luciano Vidigal. Foto: Felipe Paiva
Cineasta e ator Luciano Vidigal. Foto: Felipe Paiva

O projeto Disconcertos se despede de mais uma temporada no Futuros – Arte e Tecnologia nesta quarta-feira, 29 de abril, reafirmando a força da música como ferramenta de memória, escuta e compartilhamento de histórias. Para marcar o encerramento da programação, o jornalista, escritor e curador cultural Dodô Azevedo recebe o cineasta e ator Luciano Vidigal em uma edição dedicada ao LP A curtição do momento, volume 1, lançado em 1995 e considerado um retrato sonoro da cena funk carioca.

Mais do que uma audição comentada, o Disconcertos construiu, ao longo de sua trajetória, um espaço de encontro entre música, memória afetiva e contexto histórico. O projeto parte da escuta coletiva de discos marcantes para criar conversas que atravessam gerações, territórios e experiências pessoais, mostrando como álbuns podem guardar não apenas canções, mas também fragmentos de uma época, de um modo de viver e de narrativas sociais.

A última edição da temporada no Futuros chega carregada de simbolismo. Pela primeira vez, o projeto se dedica a um LP que existe apenas em mídia física, sem presença em plataformas digitais. A escolha reforça a importância da preservação de acervos culturais e da valorização de registros que resistem ao tempo, especialmente em um momento em que a experiência musical se torna cada vez mais acelerada e fragmentada.

Ao lado de Dodô Azevedo, Luciano Vidigal traz sua vivência como cineasta, ator e integrante do Grupo Nós do Morro para comentar um disco profundamente conectado às suas referências pessoais e ao universo cultural que atravessa sua trajetória artística. Reconhecido por obras que abordam o cotidiano das periferias e as múltiplas camadas da experiência urbana, Vidigal compartilha com o público memórias e reflexões sobre o papel do funk como expressão cultural, linguagem coletiva e força de transformação.

Em audições do Disconcertos, Dodô Azevedo conduz a escuta coletiva que transforma discos em memórias, histórias e encontros. Foto: Raphael Medeiros

Segundo Dodô Azevedo, a escolha do convidado surgiu a partir da forma como o funk aparece no filme Kasa Branca, dirigido por Luciano Vidigal. “A ideia surgiu quando eu vi que no filme ‘Kasa Branca’ o Luciano mostrava o funk de uma maneira inédita: o lado socioeducativo do gênero. Então pedi para ele me mostrar os funks de formação da adolescência dele”, explica.

O disco escolhido para esta edição, lançado pela equipe de som Curtisom Rio, reúne montagens, vinhetas e raps que marcaram os bailes funk dos anos 1990. Mais do que uma coletânea musical, o LP registra uma estética própria, construída nos encontros suburbanos e nas pistas de dança que moldaram parte importante da identidade cultural do Rio de Janeiro.

Para Luciano Vidigal, participar do Disconcertos é também uma oportunidade de ampliar o debate sobre música e arte em diferentes espaços culturais. “Achei incrível o projeto do Dodô. Gosto muito do título, dos concertos. Acho que pode ir para muitos lugares. E achei legal quebrar paradigmas falando da cultura e da arte do funk num lugar de empreendedorismo e inovação, como o Futuros – Arte e Tecnologia”, afirma.

Ao longo da temporada, o Disconcertos transformou o Futuros em um ambiente de escuta atenta e conversa, aproximando o público de discos emblemáticos e de convidados que ajudaram a revelar novas leituras sobre obras musicais. O projeto reafirma o potencial da música como documento histórico e ferramenta de conexão humana.

“Não podíamos encerrar o Disconcertos de outra forma. Escolhemos um disco que só existe em mídia física, um objeto que resiste ao tempo, desafia o apagamento e abre espaço para falarmos também de algo que nos move: a preservação de acervos e da memória cultural. Ainda, com a celebração de um gênero provocante e genuinamente carioca, tenho certeza que vai ser um encontro à altura de tudo que esse projeto representa”, comemora o gerente de cultura do Instituto Futuros, Victor D’Almeida.

Encerrar essa jornada com um LP que resiste apenas no vinil e com um convidado que tem a cultura periférica como eixo de sua trajetória simboliza a essência do projeto: valorizar narrativas que permanecem vivas através da arte, da memória e da escuta compartilhada.

Projeto Disconcertos – LP A curtição do momento, volume 1
Com Dodô Azevedo e Luciano Vidigal
29 de abril, às 19h
Futuros – Arte e Tecnologia, andar térreo
Entrada gratuita

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