Foto: Bruna Zaccaro
O que acontece quando o futuro deixa de ser uma ideia distante e passa a ter nome, rosto e voz? Essa é a pergunta que atravessa ‘A CUCA’, nova performance transmídia de Renato Rocha, que estreia no Futuros – Arte e Tecnologia no sábado, 7 de fevereiro, e segue em temporada até 29 de março, sempre de quinta a domingo, às 19h.
A origem da obra é íntima e reflexiva. Durante a pandemia, enquanto participava de encontros virtuais com artistas indígenas da Amazônia no projeto Casa Comum, Renato foi surpreendido pela pergunta de sua filha Julieta, então com três anos: “Papai, quando eu crescer, o mundo ainda vai existir?”. A partir desse abalo, nasce um trabalho que transforma angústia em rito, e rito em experiência artística.
Em cena, Renato convoca a Cuca, personagem profundamente enraizada no imaginário brasileiro, mas aqui ressignificada. Longe da figura do medo infantil, a Cuca surge como guardiã, um visage ancestral presente em diversas culturas indígenas, entidade que atravessa tempos, corpos e gerações. Uma presença que não assusta, mas que chama, protege e pergunta.
A performance cruza artes visuais, vídeo, música, literatura, carnaval e tecnologia, criando um ambiente sensorial que propõe uma reflexão urgente: que mundos estamos construindo agora e quais serão possíveis no futuro? Ao encarnar a Cuca, Renato também convoca sua própria linhagem, evocando a memória da avó pernambucana, costureira e bordadeira, e transformando o figurino em um corpo-habitat que costura passado, presente e porvir.
O carnaval ocupa lugar central nessa travessia. A Cuca se manifesta como espírito do carnaval mangueirense, território afetivo do artista, e carrega consigo as cores, os gestos e a pulsão coletiva das ruas. As aparições públicas da personagem em blocos e cortejos do Rio de Janeiro, entre eles Boi Tolo, Boitatá e Tecnomacumba, integram o material audiovisual da obra, ampliando a performance para além do palco.
‘A Ccuca’ marca também o retorno de Renato Rocha à cena como performer, após 14 anos afastado dos palcos, em seu primeiro solo. Reconhecido internacionalmente por sua trajetória em grupos como a Intrépida Trupe e o Nós do Morro, e por trabalhos apresentados em instituições e festivais de diversos países, o artista apresenta no Futuros uma síntese potente de sua pesquisa: uma obra que nasce do afeto, atravessa o mito e se posiciona diante das urgências do nosso tempo.
Para Luciana Adão, Coordenadora de Patrocínios Culturais Incentivados do Instituto Futuros, o espetáculo dialoga diretamente com a missão do espaço: “Renato Rocha é uma fonte inesgotável de inquietação e pesquisa. A Cuca é mais do que uma performance transmídia; é a materialização do artista-entidade que reflete sobre o mundo que deixaremos para as próximas gerações. O Futuros mais uma vez abre o diálogo para construir um espaço de pesquisa e construção de novos imaginários, unindo arte e tecnologia para pensar o agora”, destaca.
Ao final, a pergunta que deu origem à obra permanece ecoando. Não como resposta pronta, mas como convite coletivo. Escutar, imaginar e agir tornam-se gestos essenciais diante do futuro que já começou.
A CUCA
Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia) | R$ 39 (desconto GIRO CARD)
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/115544
Ficha Técnica
Criação Cuca, dramaturgia, direção e performance – Renato Rocha
Colaboração artística, preparação estados dinâmicos da cena – Valéria Martins
Interlocução ao longo do processo – Valéria Martins, Paulo Denizot, Márcio Vito e Daniel Castanheira
Iluminação – Paulo Denizot
Assistência de iluminação – Kelson Santos
Trilha sonora – Renato Rocha, a partir de músicas de Daniel Castanheira e Felipe Habibi
Videografismo – Plínio Hit
Colaboração videografismo – Breno Buswell
Assistência de videografismo – Crísia
Participação em vídeo – Xauãna Pataxó
Operação multimídia – Arthur Souza
Fotos e teasers – Bruna Zaccaro
Captação de imagens e edição de vídeo – Breno Buswell e Pedro Guaraná
Registro em video – Breno Buswell
Colaboração trajes e indumentárias – Tarsila Takahashi
Adereços luminosos – O aramista
Direção de Produção – Sérgio Saboya e Silvio Batistela
Produção – Galharufa Produções Artísticas
Assistência de Produção – Karina Campos
Design Gráfico, Mídias sociais, marketing digital e parceria institucional – Lead Performance
Assessoria de imprensa – Ney Motta
Coordenação geral do projeto – Renato Rocha
Realização – RR Produções Artísticas
Co-realização – Futuros – Arte e Tecnologia
Apoio – Sustenta Carnaval