Entre o amor e o abismo: “Diabólica vingança” chega ao Rio como convite ao delírio rodrigueano, cutucando o que a gente evita sentir

‘Diabólica vingança’ – Foto: Rafael Prevot

Tem histórias que não pedem licença. Invadem. Encostam onde dói. Diabólica vingança chega assim, sem rodeios, ao Futuros – Arte e Tecnologia, trazendo à cena dois contos raros de Nelson Rodrigues que nunca tinham respirado o ar do teatro.

Depois de atravessar o oceano e estrear em Portugal, o espetáculo dirigido por Renato Carrera desembarca no Flamengo com uma pergunta que não sossega: até onde o amor vai quando vira ferida?

Aqui não tem romance idealizado. Tem amor que arranha, desejo que sufoca, silêncio que grita. Tem gente comum atravessada por sentimentos que crescem no escuro. E quando a luz acende, já é tarde demais.

No palco, Dani Ornellas, Andreza Bittencourt e o próprio Carrera conduzem o público por dois abismos. Em A mão esquerda, o afeto esbarra no desprezo e devolve violência. Em Vingança, uma mulher guarda o golpe final para o último suspiro. Nada sobra intacto. Nada fica impune.

A encenação segura o texto original como quem segura um segredo antigo. Não suaviza. Não explica demais. Deixa o desconforto fazer morada. A trilha de Adriano Sampaio e as projeções de Daniel de Jesus ampliam essa sensação de estar dentro de algo que pulsa, aperta e não solta fácil.

A montagem nasce de um encontro atravessado pelo destino. Foi numa oficina sobre Nelson Rodrigues que Carrera chegou a um texto guardado, quase escondido, pelas mãos de Crica Rodrigues. Daí em diante, o que era silêncio virou cena.

Não é só teatro. É espelho. É provocação. É aquele tipo de experiência que você leva pra casa. Com Nelson Rodrigues saindo pelos poros, O Futuros – Arte e Tecnologia vira território de risco. E de entrega.

“Com a estreia de Diabólica vingança, o Futuros – Arte e Tecnologia torna-se mais uma vez o palco de espetáculos inéditos e provocantes, apresentando ao público novas histórias de um dos maiores dramaturgos da história de nosso país. A peça, assim como as grandes obras do autor, permite refletir sobre a complexidade das relações humanas”, ressalta o gerente de cultura do Instituto Futuros, Victor D’Almeida.

Se você gosta de sair do óbvio, de sentir o teatro na pele, de histórias que não passam batido, talvez seja melhor garantir seu lugar logo.

Porque tem peça que a gente assiste.
E tem peça que acontece com a gente. Diabólica vingança é dessas.


Diabólica vingança
30 de abril a 24 de maio de 2026
Quinta a domingo, às 19h
Teatro Futuros | Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, RJ
Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia) | R$ 39 (desconto GIRO CARD) Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos

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