Ano-Luz: exposição traz visão poética sobre a relação entre luz, espaço e tempo

Faça-se a luz! Entra em cartaz neste sábado (13) em Futuros – Arte e Tecnologia a nova exposição Ano-Luz, que reúne três instalações artístico-tecnológicas nacionais e internacionais, além de sete animações em painéis de LED. Todas as obras têm em comum o uso da tecnologia na exploração estética da luz. A exposição, produzida pela FILE – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica vai do dia 13 de maio até 25 de junho.

“O Futuros – Arte e Tecnologia busca receber em sua programação propostas que se valem da ciência e da tecnologia como ferramenta de expressão artística tendo o humano no centro. Por isso, recebemos a exposição Ano-Luz, que oferece ao público obras interativas, imersivas e sinestésicas tendo a luz como elemento central de experiências únicas criadas por artistas nacionais e internacionais”, conta Victor D’Almeida, Gerente de Cultura do Oi Futuro.

“Uma as vertentes da arte é a luz, que sempre encantou a humanidade. Agora, seu potencial estético é explorado e apresentado sob o ponto de vista da tecnologia”, explica a equipe FILE.

Na instalação lúdica e interativa Lines, do holandês Daan Brinkmann e do alemão Nenad Popov, o público, coletivamente, assume o papel de co-protagonista. Conectados por uma teia social luminosa projetada, os visitantes controlam os parâmetros de uma experiência audiovisual de som e ritmo por meio de suas relações espaciais em uma espécie de jogo.

Em Tempo: cor, o brasileiro Pedro Veneroso busca modificar a relação com o tempo através de uma experiência imersiva que converte as horas em cores por meio de um algoritmo composto por funções senoidais. Assim, um conjunto de relógios em diferentes fusos horários projeta a hora atual em suas representações matemática e cromática. Lado a lado, as cores atravessam todo o espectro cromático e se fundem em uma representação estética do tempo única e contínua que traz a reflexão: a mudança na forma como representamos o tempo  altera nossa forma de experiência do tempo?

#L1, after Dan Flavin, do artista uruguaio Fernando Velázquez, um algoritmo de rede neural primitivo oferece ao público uma experiência sinestésica minimalista. Um conjunto de

16 barras de neon e de samples de autores contemporâneos extraídos do Youtube editados pelo algoritmo emulam percursos e processos cerebrais por meio de redes neurais. A sequência de luz intermitente e o discurso desconexo gerados pelo algoritmo operam um estado de consciência particular, saturando o aparelho perceptivo, ativando a memória e estimulando o pensamento associativo – um contraponto entre natureza e cultura, que tem seu ponto alto no momento em que o neon entra em um estado de suspensão por não conseguir responder à velocidade do algoritmo.

Complementando o convite à reflexão sobre quais serão as novas unidades de medida de um tempo estético e como conceber novas escalas em um universo algorítmico digital, a exposição ainda traz seis animações exibidas em painéis de LED. São elas:

Infinite Horizons, de Diana Reichenbach (Estados Unidos)
Um voo por uma paisagem abstrata desafia as percepções do horizonte.

Traces: Lights, de Jean-Michel Rolland (França)
Experimentação audiovisual de um vídeo filmado de carro, à noite, em Pequim. Movimentos não controlados da câmera são usados para dar uma nova realidade às luzes da noite. A música é gerada pela variação da luminosidade total na tela.

Saccade, de Ouchhh Studio (Turquia)
A percepção do tempo é uma construção do cérebro que é manipulável e distorcível em determinadas circunstâncias. Essas ilusões temporais ajudam a expor os mecanismos neurais fundamentais da percepção do tempo. Inspirado por Chronostasis e sobressaltos do olho humano, “Saccade” pretende representar algoritmos de rastreamento de olho na detecção de sobressaltos através da produção de visuais abstratos ao reinterpretar a ilusão de tempo.

Latente de Sergio Mora-Díaz (Chile)
“Latente” é um estudo audiovisual sobre geometria, escala e percepção dinâmica do espaço. Usando formas essenciais como pontos e linhas, o trabalho cria um universo abstrato com suas próprias estruturas e regras, definidas por padrões matemáticos e geométricos. As formas resultantes se movem, mudam, interagem e se arranjam como um sistema complexo. Latente nos transporta através de composições tridimensionais com planos de diferentes profundidades, evocando comportamentos da natureza e do cosmos.

ENERGIE! de Thorsten Fleisch (Alemanha)
De um mero ponto de vista técnico, a tela ganha vida por um feixe controlado de elétrons no tubo de raios catódicos. Para ‘Energie!’, uma descarga de alta tensão descontrolada de 30 mil volts expõe várias folhas de papel fotográfico que são organizadas para criar novos sistemas visuais de organização de elétrons.

Bio-Inspire, de VOID (Turquia)
As Redes Neurais Artificiais (RNAs), muito utilizadas em sistemas de aprendizado automático e ciência cognitiva, são inspiradas nas redes neurais biológicas; ou seja, simulam a troca e o processamento de mensagens semelhantes aos das redes neurais biológicas. Cada função é específica aos dados aprendidos e corresponde à forma estrutural da RNA, a medida em que a RNA garimpa dados, em um processo de adaptação e aprendizagem. Inspirados na estrutura de uma RNA, o objetivo de Bio-Inspire é redefinir a complexidade de uma rede artificial utilizando objetos abstratos e sons que façam referência à sua forma natural.

Exposição “Ano-Luz”

De 13 de maio a 25 de junho, de quarta a domingo, das 11h às 20h.

Local: Centro Cultural Futuros – Arte e Tecnologia
End: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro
(Acesso próximo ao Metrô do Largo do Machado)
Entrada gratuita | classificação livre

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